O colo da minha mãe

Já passa das 4h da manhã. Ontem dormi 5 horas, hoje nem sei se dormirei alguma.

Esta noite passei mais de uma hora a chorar no colo da minha mãe. A minha tristeza, medo desenfreado e desistência da vida caíam em cascatas dos meus olhos para cima do casaco dela, enquanto me fazia festas no cabelo. E eu gosto tanto que me façam festas no cabelo, mal pude aproveitar…

A verdade é que tenho um pé no abismo e outro na terra. Há alguém que me transformou em algo de que não me orgulho. E hoje, quando olho para trás e vejo uma adolescência cravejada de borbulhas e quilos a mais, quando eu achava que “não gostava de mim”… eram peanuts. Adolescentes, desistam… “vocês não sabem nem sonham, que o sonho comanda a vida” e quando deixamos de sonhar e nos vemos presos na nossa própria vida, como se fosse tudo menos nossa… aí sim. Isso é perder amor próprio. E como sabemos? Quando tentamos pôr termo à nossa vida. Não para fugir, mas porque simplesmente nos odiamos. Porque não gostamos de nós. Porque saímos para o trabalho de rabo de cavalo e cara por lavar com olheiras de meio metro porque, whatever, ninguém repara. Porque somos FANTASMAS de nós próprios. Porque sabemos de cor e salteado todas as formas existentes de suicidio. Porque sabemos que um tiro ou um enforcamento são os métodos mais seguros e eficazes para termos a certeza que morremos. Não sei se dói ler como dói escrever, mas não devíamos vir ao mundo para sermos felizes? E não perseguidos pelos nossos próprios fantasmas?

Hoje, a minha mãe e o meu primo salvaram-me. Sobretudo a minha mãe. Quem me dera ter metade daquela força e daquele feitio, em vez de ser uma maricas ridiculamente cobarde como sou.

Tenho muito poucas pessoas no mundo com quem posso mesmo contar. Aliás, tenho apenas uma: a minha mãe.

E, mãe, se me estás a ler, tenho os olhos inchados e a arder, mas é por ti e por elas que amanhã cá estarei.

O resto não posso prometer… é um dia de cada vez.

Amo-te, acima de tudo… e é por ti, só por ti. Porque eu… eu sou um lixo. E não sei como, talvez por magia, ainda gostas de mim. E isso… é impagável.

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